terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A cor mais bonita do mundo

E eu nem contei, né? Só falei mal do avião. Parece coisa de deslumbrado com ser do jetset (ahã, tá, é assim mesmo a vida...), que em vez de falar da viagem fica falando do aeroporto.


A Big Corn Island é, como explicar..., o céu, só que ele caiu dentro do mar. Sabe hippie velho? Eles falam, numa praia como Trindade, perto de Paraty: "você precisava ver isso aqui antes". A Ilha é isso, e dizem que Little Corn é ainda mais. Praias de areia clarinha e fofinha, com água azul turquesa. E sobre a ilha, meia dúzia de turistas, em plena alta temporada. É tão bacana que nem tem o reggae automático de qualquer praia em tempo de globalização. As praias têm nomes legais também, como Sally Peachies, Picnic Center e a Long Beach - a Praia Grande do Caribe nica.

Fui lá pra trabalhar, em princípio. Precisava fazer uma reunião com a unidade da Bluefields University, e marquei convenientemente no sábado. A instituição é pra lá de miserável. Eu Não costumo ter pena de ninguém, eu acho que todo mundo tem sua dignidade, não precisa de compaixão. Mas ali foi difícil. É um prédio de dois andares, uma casa antiga. Duas salas em cima, que nem lousa decente têm. Cadeiras quebradas servem pros estudantes sentarem. E a vice-reitora não se abatia, era ali, era daquele jeito e assim tinha que funcionar. A postura dela me animou. Acho que animou. Não seis e animou.

As praias sim, e eu, que até 2008 nunca havia comido lagosta, tive isso em todo almoço e jantar, e só não no café da manhã porque não consigo pensar em peixe ou crustáceo antes das 11 da manhã.

A grande descoberta estava debaixo do mar, assim, coisa de pirata. Fizemos esnorquel enquanto estávamos lá. Uma meia manhã nadando. Tinha peixes lindos, lagosta nadando no fundo do mar e barco espanhol afundado. A viagem toda foi feita em barco com fundo de vidro, o que permitia ver um pouco antes o que a gente ia ver mais de perto. Muito lindo e interessante, fantástico até, mas não foi isso. O que foi, foi o azul. Tem esse azul turquesa de poster de viagem pro Caribe (e pra outras praias, cujo mar jamais tem essa cor).

Mas tem outro. Uma camada de turquesa sobre a outra até o azul escurecer. Um azul que eu nunca vi na vida. Minha nova e tão rara cor favorita.

Agora em novo velho endereço...

Del Seminole, una al sur y una abajo. Ou: De Woodys, una abajo. Aparthotel Los Robles. Foi o primeiro lugar em que ficamos em Manágua, ou segundo, se a casa sem endereço, em frente de não sei o quê em que ficamos em 2007 também contar. Aliás, o primeiro contato com esta cidade aqui foi assustador, conto isso outo dia, se eu me lembrar.

A gente saiu da outra casa. Meia manhã pra empacotar, três semanas and counting desempacotando, um horror. E agora estamos com um pezão de irmãdrasta de Cinderella pra enfiar no sapatinho. Mas...

O apartamento não é tudo isso de pequeno, não. E não vamos ter de pagar contas de água e luz de US 250,00 pra serviço que não tem. Aliás, zero dólar e zero córdoba por água e luz, porque é um hotel. É bem aconchegante, tem cozinha americana. Eu, que sempre tenho convidados em casa meia hora antes da comida ficar pronta, agradeço todos os dias ao americano que inventou de separar a cozinha da sala com um balcão. AH, sim, e tem água todos os dias a qualqur hora e bastante. Banhos normais de novo, grazadeus.

Mas a vida é boa e generosa. As experiências ruins ensinam. Aprendi uma coisa com a experiência da senhoria da casa antiga: que minha imaginação pra mortes imaginárias não tem limites, e eu devia escrever roteiros pra filmes de serial killer.

Se alguém aí estiver de mudança pra Manágua, jogue 02-14-18-23-32-41 na Megasena, porque você é coisa rara. Não era isso. Eu ia dar um monte de conselhos e tal... Mas deu preguiça.