Fim de um reinado de paz, harmonia, prosperidade, democracia e homicídios premeditados.
Hoje eu desço do trono aqui no Principado da Quinta Los Pinos. O chefe volta. Foram quarenta dias de reinado cheios de amor, paz, prosperidade e candidatos a visto mortos pendurados no mastro da bandeira como forma de punição exemplar por exigir que eu venha assinar papel nos domingos.
No meu governo, eu enchi o Departamento Cultural de pedidos de dinheiro para nossa programação local; visitei três prefeituras que me pediram bolas e uniformes de futebol e que me garantiram que torcer contra o Brasil na Copa dá cadeia; fiz meia aula de capoeira; assinei visto que não acaba mais, entre eles para a Seleção de Futebol da Nicarágua, que foi treinar durante mais de mês no Rio de Janeiro; fui mil vezes fazer gestões por votos em organismos internacionais e fiquei amigo de metade dos funcionários da Direção-Geral correspondente no ministério local; participei de reuniões sobre: alimentação escolar, produção agrícola orgânica, combate à fome, prevenção de catástrofes, segurança pública e gestão de recursos hídricos; criei um currículo de Literaturas de Língua Inglesa para a Universidade onde dou aulas; criei um currículo de Linguística para um mestardo na mesma universidade; em parceria com a leitora brasileira, criei um curso de formação de professores de português para essa Universidade aí; distribuí paçoquinha e caipirinha; fui ver 5 filmes franceses, um colombiano, um equatoriano, um argentino e um chileno, representando a Embaixada em festivais de cinema; e mais algumas coisas.
Tirando os mortos e os feridos graves, todos os demais estão só com ferimentos leves e traumas psíquicos profundos. Eu sou um governante bondoso, de fazer inveja ao Pinochet.
E agora acabou, e eu posso, gazadeus, voltar pro parquinho.
