Meus restaurantes favoritos em Manágua
Fazendo de conta que alguém que lê esse blogue virá um dia por qualquer motivo pra a Nicarágua, vou brincar de lonelyplanet-escritor um pouquinho, de vez em quando. Às vezes eu acho que pra ter esse meu trabalho é bom a gente ser um pouquinho lonelyplanet-escritor. A diferença é que essa profissão é que nem a minha, mas só com as partes boas.
Uma coisa que eu faço muito por aqui é comer. Eu devira ir à academia (esportes na rua, caminhada, nem pensar, não tem onde e os managuas dirigem como bestias enloquecidas). Mesmo comendo muito na rua, ainda não fui em lugares fundamentais pro cenário gastronômico local. É que eu pego amor.
Por exemplo, Cocina de Doña Haydée. Eu vou lá sempre que tem visita. Levo as missões, os artistas, levei as poucas amigas que vieram me ver. É uma versão com menos óleo (e aqui, como na comida caipira brasileira, vai muuuuuuito óleo...) da comida típica da Nicarágua. O que eu vejo o pessoal comer são os surtidos, que têm amostra de um monte de coisa (frita, normalmnte), ou o caballo bayo, outro desses com um tiquinho de cada coisa. Difícil explicar como são. Uma vez, aliás eu estava tenando explicar pra Priscila o que é o Indio Viejo, antes de a gente pedir a comida, pra ver se a convencia de que haveria algo que ela consideraria comestível. E fui: é uma carne cozida até desmanchar, em farinha de milho, o que dá uma cara meio de polenta pra ela. Vai cebola e molho de tomate e não é picante. A Letícia vem e ajuda: "e parece assim um vômito". A Priscila não comeu, eu e a Le, sim. E eu juro que é uma maravilha.
Mas a sobremesa da Doña Haydée, exceto pela torta de elote (elote é milho verde), não é muito brilhante. Tem que ir a uma das várias unidades da Casa del Café para comer tres leches. É um bolo parecido om pão-de-ló, regado com leite condensado, leite evaporado e creme de leite fresco, tudo coberto com merengue. Doce, muito doce, mas muito bom. Fora isso, o resto do menu é coisa dentro do esquema café (com sotaque francês). Eles têm uma torta de maçã quase sem açúcar excelente. O croissant com ovo, presunto e queijo é indecente: a gema vem meio molinha... Mas isso tudo é coisa que há em qualquer lugar.
O que não tem em qualquer lugar é comida italiana que preste. A gente penou pra achar o Mamma Mia e o Pane e Vino. Mesmo assim, não é que nem a Treze de Maio em São Paulo ou a Macarronada Italiana de Campinas. Dizem que é ótimo um tal Borgo Antico. Não sei, não fui. Depois eu conto.
Muito diferente é o quesillo, que pra comer do bom é preciso pegar a estrada nova para León e parar em Nagarote ou em La Paz Centro. Dizem que na primeira cidade (que é a primeira mesmo no sentido Manágua - León) o quesillo é tradicional, e que tem um lugar, o Acacia, que é uma maravilha. Nunca fui. É que a outra cidade está mais perto das ruínas de León Viejo, que é aonde se vai ou de onde se vem nos meus roteiros com visitantes. É bom, eu achei, e sempre vou ao Güiligüiste. Quesillo é parecido com queijo minas, mas no fim do processo é lavado com água fervente, o que cozinha os coalhos e deixa a massa mais homogênea e flexível. Eles pegam uma fatia redonda e fina e colocam sobre uma tortilla de milho, põe o molhinho adocicado de cebola picadinha, enrolam e enfiam num saco. Depois, jogam sour cream dentro.
O campeão de visitas: Sushi-Itto. É uma franquia mexicana que faz rolos de sushi criativos, coquetéis coloridos e até comida japonesa! Valor sentimental imenso, pelas inúmeras visitas (né, Letícia?). Fica na Galerías Santo Domingo, que é um shopping que tem a Zona Viva, um monte de bares e restaurantes uma ao lado do outro, dá até impressão de cidade com boulevard essas coisas, não fosse o monte de emos andando pralápracá. Total Miami (a cara da burguesia local).

2 comentários:
Guia Michelzão! hahahaha, amei. Dá pra comentar tudo, mas só digo: indio viejo vai deixar saudade...
Você já foi no San Juan de la Selva? Mas meu favorito mesmo, pela paisagem sobretudo, era Las Delícias del Bosque.
Outro meu favorito é a Tasca de Kiko, um restaurante rústico, mas que serve boa comida espanhola. Bem, esses eram meus favoritos. Abs, Regina
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