quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Meus restaurantes favoritos em Manágua

Fazendo de conta que alguém que lê esse blogue virá um dia por qualquer motivo pra a Nicarágua, vou brincar de lonelyplanet-escritor um pouquinho, de vez em quando. Às vezes eu acho que pra ter esse meu trabalho é bom a gente ser um pouquinho lonelyplanet-escritor. A diferença é que essa profissão é que nem a minha, mas só com as partes boas.

Uma coisa que eu faço muito por aqui é comer. Eu devira ir à academia (esportes na rua, caminhada, nem pensar, não tem onde e os managuas dirigem como bestias enloquecidas). Mesmo comendo muito na rua, ainda não fui em lugares fundamentais pro cenário gastronômico local. É que eu pego amor.

Por exemplo, Cocina de Doña Haydée. Eu vou lá sempre que tem visita. Levo as missões, os artistas, levei as poucas amigas que vieram me ver. É uma versão com menos óleo (e aqui, como na comida caipira brasileira, vai muuuuuuito óleo...) da comida típica da Nicarágua. O que eu vejo o pessoal comer são os surtidos, que têm amostra de um monte de coisa (frita, normalmnte), ou o caballo bayo, outro desses com um tiquinho de cada coisa. Difícil explicar como são. Uma vez, aliás eu estava tenando explicar pra Priscila o que é o Indio Viejo, antes de a gente pedir a comida, pra ver se a convencia de que haveria algo que ela consideraria comestível. E fui: é uma carne cozida até desmanchar, em farinha de milho, o que dá uma cara meio de polenta pra ela. Vai cebola e molho de tomate e não é picante. A Letícia vem e ajuda: "e parece assim um vômito". A Priscila não comeu, eu e a Le, sim. E eu juro que é uma maravilha.

Mas a sobremesa da Doña Haydée, exceto pela torta de elote (elote é milho verde), não é muito brilhante. Tem que ir a uma das várias unidades da Casa del Café para comer tres leches. É um bolo parecido om pão-de-ló, regado com leite condensado, leite evaporado e creme de leite fresco, tudo coberto com merengue. Doce, muito doce, mas muito bom. Fora isso, o resto do menu é coisa dentro do esquema café (com sotaque francês). Eles têm uma torta de maçã quase sem açúcar excelente. O croissant com ovo, presunto e queijo é indecente: a gema vem meio molinha... Mas isso tudo é coisa que há em qualquer lugar.

O que não tem em qualquer lugar é comida italiana que preste. A gente penou pra achar o Mamma Mia e o Pane e Vino. Mesmo assim, não é que nem a Treze de Maio em São Paulo ou a Macarronada Italiana de Campinas. Dizem que é ótimo um tal Borgo Antico. Não sei, não fui. Depois eu conto.

Muito diferente é o quesillo, que pra comer do bom é preciso pegar a estrada nova para León e parar em Nagarote ou em La Paz Centro. Dizem que na primeira cidade (que é a primeira mesmo no sentido Manágua - León) o quesillo é tradicional, e que tem um lugar, o Acacia, que é uma maravilha. Nunca fui. É que a outra cidade está mais perto das ruínas de León Viejo, que é aonde se vai ou de onde se vem nos meus roteiros com visitantes. É bom, eu achei, e sempre vou ao Güiligüiste. Quesillo é parecido com queijo minas, mas no fim do processo é lavado com água fervente, o que cozinha os coalhos e deixa a massa mais homogênea e flexível. Eles pegam uma fatia redonda e fina e colocam sobre uma tortilla de milho, põe o molhinho adocicado de cebola picadinha, enrolam e enfiam num saco. Depois, jogam sour cream dentro.

O campeão de visitas: Sushi-Itto. É uma franquia mexicana que faz rolos de sushi criativos, coquetéis coloridos e até comida japonesa! Valor sentimental imenso, pelas inúmeras visitas (né, Letícia?). Fica na Galerías Santo Domingo, que é um shopping que tem a Zona Viva, um monte de bares e restaurantes uma ao lado do outro, dá até impressão de cidade com boulevard essas coisas, não fosse o monte de emos andando pralápracá. Total Miami (a cara da burguesia local).

2 comentários:

Anônimo disse...

Guia Michelzão! hahahaha, amei. Dá pra comentar tudo, mas só digo: indio viejo vai deixar saudade...

Unknown disse...

Você já foi no San Juan de la Selva? Mas meu favorito mesmo, pela paisagem sobretudo, era Las Delícias del Bosque.
Outro meu favorito é a Tasca de Kiko, um restaurante rústico, mas que serve boa comida espanhola. Bem, esses eram meus favoritos. Abs, Regina